Na Le Postiche até a herdeira teve de começar como estagiária.

Sócia da Le Postiche, Alessandra Restaino iniciou na empresa da família como estagiária para chegar ao topo.

Alessandra Restaino começou a trabalhar na empresa da família há 27 anos como estagiária. Atuou na área de vendas, foi supervisora de loja, assumiu o marketing, compras, diretoria comercial e, por fim, a presidência da maior rede de lojas de artigos para viagem, bolsas e acessórios do país, a Le Postiche.

Não foi fácil chegar ao comando da companhia. Alessandra enfrentou a desconfiança de pessoas ao seu redor e precisou estudar e se preparar para o cargo.

“No passado, acreditavam que a empresa familiar precisava de um filho homem. Quando fiquei mais velha, casei e tive filhos, questionavam se meu marido assumiria o negócio. Já vinha me preparando e formando minha autoconfiança ao longo dos anos. Eu tive que estudar mais, me preparar muito mais e as pessoas sempre olhavam muito para mim. Não foi fácil, mas fui conquistando meu espaço”, conta.

Formada em administração de empresas com especialização em gestão estratégica pela Fundação Getúlio Vargas e em administração pela Kellogg University, além de especialização e varejo pela NRF, Alessandra hoje é sócia-diretora da empresa, que passa por um processo de profissionalização.

Em entrevista ao Jornal de Negócios, Alessandra compartilha sua experiência na empresa, que completou 40 anos em 2018.

Como é comandar uma empresa familiar? Você sentiu mais pressão por ser mulher?

Comandar uma empresa familiar é desafiador: a responsabilidade de perenizar o legado que já foi construído e garantir que essa marca se perpetue ao longo dos anos. Tive que alcançar cada etapa com muito aprendizado, com muitos desafios e fui conquistando meu autoconhecimento. Aprendendo com a experiência e me posicionando abertamente diante das questões.

Onde posso, tenho levado a bandeira da igualdade no mercado de trabalho, participo de fóruns e palestras sobre o papel da mulher como líder. Quero dar voz aos números que mostram as poucas mulheres em cargos de liderança. Chamar atenção para o problema é papel do líder hoje.

Na Le Postiche, temos um quadro forte de mulheres, mais de 90% dos colaboradores. Na diretoria, temos metade das cadeiras ocupadas por elas. Procuramos empoderar as funcionárias para que tomem suas decisões na carreira e assumam posições superiores.

Você implantou que tipos de mudança?

Fui responsável por muitas mudanças: introdução dos indicadores de gestão das lojas (como os de performance); implementação de visual merchandising (conceitos que aprendi na especialização na NRF); desenvolvi a marca própria e produto exclusivo (área de estilo); implantação da nossa MegaStore (a maior loja da América Latina do segmento no ano 2000); e ainda estive envolvida no reposicionamento da marca nos anos de 2008 e 2009 (mudança de portfólio, revisão do projeto arquitetônico, reposicionamento de branding da companhia).

Qual o modelo de negócio da Le Postiche?

Temos lojas próprias e trabalhamos com licenciamento. São 80 próprias e, aproximadamente, 140 lojas licenciadas. Estas últimas possuem o projeto arquitetônico da marca padronizado, calendário promocional unificado no Brasil, campanhas alinhadas, mesmo material de ponto de venda, portfólios e preços. Operamos também um e-commerce.

Qual o principal desafio de uma empresa de varejo no Brasil?

Continuar em movimento e se reinventando porque o comportamento do consumidor sempre se transforma – a cada dia com novos desejos e novas premissas. O varejo é feito de muitos detalhes. Uma empresa, para funcionar no varejo, tem que ser muito dinâmica, ágil, e o diferencial está nos detalhes.

Com a empresa se atualiza sobre as tendências de moda?

Pesquisas de mercado no Brasil e no exterior. Frequentamos todas as feiras do segmento, e temos plataformas de moda – ferramentas para estarmos sempre atualizados e traduzirmos as tendências mundiais.

Como está a operação do e-commerce da marca?

Desde 2007, investimos bastante no e-commerce como uma ferramenta omnichannel, uma plataforma flexível e adaptável. Estamos nos preparando para trabalhar com marketplace (projeto a médio prazo) e introduzir o omnichannel – interação físico/virtual com o consumidor da melhor maneira.

E a crise? Como a empresa passou por esse período? Teve algum aprendizado?

Sim, tivemos muitos aprendizados ao longo da crise. Repensamos a companhia, fizemos fusões de alguns negócios, repensamos modelos e olhamos nossos talentos para sermos mais ágeis e produtivos.

Quais as dicas que você pode dar para quem quer empreender?

Importante que tenha vocação para o empreendedorismo e desejo de se entregar ao projeto com dedicação integral. Quando você empreende é responsável por tudo. No início, a estrutura é pequena, sendo o dono responsável por todo o processo. É importante que a companhia tenha propósito, alma, proposta de valor significativa para fazer a diferença.

Atualização (18/fev/2019): Mudamos o título para que refletisse melhor a história da empresária e o conteúdo do texto.

 

Fonte: EXAME  – https://abr.ai/2GIMU8d

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